O Clube
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UM POUCO DA HISTÓRIA DA CASA DE PORTUGAL

 

A Comissão eleita e empossada, em nome dos Portuguêses de Teresópolis, sauda a imprensa portuguêsa do Brasil, as autoridades e, através dêste jornal, todas as entidades congêneres espalhadas por êste imenso e hospitaleiro Brasil.
 
 (Matéria transcrita do Teresópolis Jornal de dezembro de 1959 com a saudação da Comissão eleita quando da fundação da Casa de Portugal de Teresópolis)

 
 

I – O GRÊMIO PORTUGUÊS DE TERESÓPOLIS
 
A origem remota da Casa de Portugal de Teresópolis nos transporta para os idos de 1936 com a criação do Grêmio Português de Teresópolis, entidade fundada para congregar a família portuguesa residente em Teresópolis.

É bem provável e quase certo que a Casa de Portugal de Teresópolis tenha se formado pela união de brasileiros e portugueses, em sua maioria oriunda do extinto Grêmio Português de Teresópolis.

Parece não residir nenhuma dúvida de que a fonte inspiradora para a criação da Casa de Portugal de Teresópolis remonta ao mencionado Grêmio.

Esta importante agremiação localizava-se na Avenida Delfim Moreira nº 411, em cima da Casa Castro, onde depois seria instalada a Coletoria Estadual. O prédio foi demolido em 1998.

Na ocasião, o Presidente do Grêmio era o Sr. José Fernandes Braga, o velho Braga, vidraceiro de profissão e português de nascimento.

Outros portugueses compunham a Diretoria do Grêmio: Manoel Guedes, Boaventura Thomas Fagundes, Adriano da Cruz Pereira, João Monteiro (construtor da Capela do Convento das Carmelitas, no bairro do Alto), Manoel “Sloper” (jardineiro da família Sloper por mais de 40 anos), Elias de Souza Cavado, José de Souza Pinto e outros.

O Grêmio oferecia a seus sócios diversas atividades, mantendo em sua sede mesa de bilhar, ping-pong, além de um time de futebol, em cujo uniforme ostentava, uma cruz de malta. Realizava, ainda, em seu pequeno salão social, diversões noturnas para seus sócios.

O falecimento de diversos sócios, inclusive do animado Diretor José de Souza Pinto e com a idéia já em andamento, de formar-se uma grande associação, determinou o fim do Grêmio que foi com certeza o embrião, o precursor da futura CASA DE PORTUGAL DE TERESÓPOLIS.
 
II – O HOCKEY CLUB TERESÓPOLIS
 
Em 1957, a Prefeitura Municipal de Teresópolis, tendo a frente o Prefeito Jose de Carvalho Janotti, e na Secretaria de Obras o Dr. Antonio Osíris Rahal, construiu a Praça Olímpica Luiz de Camões, e em destaque um rinque de patinação.   O conjunto foi inaugurado na data de aniversario da cidade, 06 de Julho de 1957, e neste dia como atração principal dos festejos, um jogo exibição de hóquei em patins, entre duas equipes convidadas, o Atlântico Hóquei Clube, versus o Mocidade Hóquei Clube, duas expoentes agremiações de nossa vizinha cidade de Petrópolis, que brindaram o público Teresopolitano, com a exibição de um esporte eletrizante e totalmente desconhecido.

O Rinque inaugurado foi invadido por uma multidão de patinadores aprendizes, e assim permaneceu por semanas, meses e anos, sempre concorrido, logo se destacando entre jovens, adultos e idosos, exímios patinadores, entre eles, aqueles que vieram de outras cidades, já professores na patinação, e que serviram de modelos para os aprendizes. Foi uma coqueluche na cidade.

Uma semana depois de inaugurada a Praça Olímpica, subiu a serra o Sr. Otavio Lassance Fontoura, técnico instrutor de hóquei em patins do Clube de Regatas Flamengo, do Rio de Janeiro, com uma saca de material usado para a prática do esporte patinado, e no domingo dia 13 de julho pela manhã, arregimentou rapazes praticantes da patinação, ensinando as regras do jogo, organizando os primeiros treinos. Vale registrar o conflito que explodiu nos horários de treinos entre os praticantes iniciantes do hóquei em patins, e a multidão de patinadores, inconformados em ver interditado o rinque, ocupado para treinos de hóquei, tendo a Prefeitura Municipal intervindo, determinando horários de treinos do hóquei através de circular do Gabinete do Prefeito.

Neste mesmo mês de Julho, no dia 30, às 15 horas, em reunião no Gabinete do Prefeito Municipal José de Carvalho Janotti, foi fundado o Hockey Club Teresópolis, tendo como primeiro Presidente o Sr. Theófilo Campos  Leal, como Vice o Sr. Ladislau de Souza Carreiro, segundo Vice o Dr. Pedro Hélios Forster Leite, primeiro secretário o Dr. Georges Beutner, segundo secretário o Sr. José Carlos Passos, tesoureiro o Sr. Carlos Cezar de Lima Quintella,  diretor de Esportes o Sr. Otavio Lassance Fontoura, diretor de publicidade o Sr. Roberto Péricles e  diretor social o Sr. Geraldo Costa.

Com nove meses de existência, em março de 1958, devido a motivos financeiros, o Hóckey Club Teresópolis teve uma paralisação em suas atividades, até que o Várzea Futebol Clube, sob a presidência do Dr. Benvindo Soares do Rego admitiu aceitar todos os atletas praticantes do hóckey em patins.    

Vestindo a camisa preta e branca do Várzea Futebol Clube, o hóquei teresopolitano realizou diversas partidas na cidade e fora dela (Petrópolis, São Paulo, Rio de Janeiro, Nova Friburgo, Santos, Minas Gerais, Bahia, Magé, Pernambuco, Argentina, Chile), sempre divulgando o nome de Teresópolis.

O último jogo do Hóckey Club Teresópolis, vestindo a camisa do Várzea Futebol Clube, foi realizado no Rio de Janeiro, no Maracanãzinho, contra a seleção de Angola composta por atletas da seleção portuguesa, que o derrotou.

Em 29 de Julho de 1963, foi convocada a seleção brasileira de Hóquei, que jogou no Maracanãzinho, no Rio de Janeiro, contra a Seleção de Portugal, Campeã do Mundo, integrando a equipe os atletas do Hockey Clube Teresópolis, Nelson Tokuda, Álvaro Pimentel, Antonio Pires e C. Cezar Quintella, com o resultado em favor da Seleção de Portugal por 11 x 1.

Logo a seguir, no dia 06 de agosto de 1963, o Hockey Club Teresópolis, recebeu a Seleção Portuguesa em nossa cidade, capitulando diante dos Campeões do Mundo, por 5 x 2, após nossa equipe ter virado o primeiro tempo vencendo de 1 x 0.

Este jogo marcou época, pela recepção que o Hockey Club Teresópolis proporcionou aos ilustres visitantes, e foi também o evento que fez a aproximação do Hockey Club Teresópolis, com a Casa de Portugal de Teresópolis, que participou efetivamente das homenagens prestadas aos Campeões do Mundo de Hóquei em Patins.

Com a realização do jogo entre o Hockey Club Teresópolis e a seleção Portuguesa de Hóquei, Campeã do Mundo, teve inicio um forte movimento entre os cem (100) sócios do Hockey Club Teresópolis, visando adquirir um terreno onde seria construída a sede, e principalmente um ginásio desportivo.

Decorrido o ano de 1963, e já pelos meados de 1964, uma pesquisa-consulta junto aos associados, deixou evidente que o número de sócios estava aquém das possibilidades de se angariar os fundos necessários para a aquisição de um terreno.

Entre os sócios do Hockey Club Teresópolis, alguns eram também sócios da Casa de Portugal de Teresópolis, fundada 2 anos após a fundação do Hockey Club Teresópolis, e foi cogitada a idéia de uma possível fusão entre as duas agremiações, fortalecendo os meios para a aquisição de uma sede própria.

No movimento interno do Hockey Club Teresópolis, o sócio Carlos Cezar de Lima Quintella, obteve junto ao Dr. João de Eça, procurador e consultor da Família Perry, uma opção de compra do terreno sito na Av. Lucio Meira, esquina com a Rua Dr. Aleixo.

A idéia da fusão ganhou força no seio de ambas as agremiações, gerando diversas reuniões das Diretorias. 

Havendo um consenso foi marcada uma Assembléia Geral separadamente de cada Clube, resultando após debates, a votação em prol de uma fusão, tendo havido alguns poucos votos contra em ambas as agremiações, mas a maioria pela efetivação da fusão.

Uma Assembléia Geral conjunta acertou detalhes de um único e novo estatuto, e a aprovação final da fusão, em Junho de 1965.  

A fusão das duas agremiações consumou-se em 19 de julho de 1965, após a Assembléia Geral do Hockey Club Teresópolis e da Casa de Portugal de Teresópolis, passando todos os ativos e passivos das duas agremiações a um novo clube sob a denominação comum de CASA DE PORTUGAL DE TERESÓPOLIS.

Logo após foi efetivada a compra do imóvel do qual o Hockey Club Teresópolis detinha a opção de compra.
 

III – A CASA DE PORTUGAL DE TERESÓPOLIS
 
A Casa de Portugal de Teresópolis foi gerada numa reunião preparatória realizada no estabelecimento comercial do Sr. Guilherme Lopes Taveira, localizado na Praça Santa Teresa nº. 44 (Casa Sepol).

O Sr. Guilherme reuniu no dia 1º de dezembro de 1959, no seu estabelecimento, um grupo de portugueses moradores em Teresópolis, a fim de  festejarem a data pátria e ao mesmo tempo concitou os presentes a fundarem a CASA DE PORTUGAL DE TERESÓPOLIS,” para que se torne o lar de todos os portugueses e de suas famílias, dando ao mesmo tempo a possibilidade dessa entidade representar a colônia portuguesa radicada em Teresópolis, podendo desta forma, participar oficialmente de todos os atos cívicos de datas festivas do Brasil e Portugal”, visto que a Beneficência Portuguesa, que ele também fundou a 10 de junho de 1954, era apenas de caráter filantrópico e hospitalar.

Os presentes, surpreendidos pela iniciativa que lhes era comunicada pelo Sr. Guilherme Lopes Taveira, abraçaram desde logo tal idéia, tomando conhecimentos de suas finalidades: Social, Cultural e Recreativa, tendo por base o oferecimento gratuito à juventude teresopolitana de freqüência em seus departamentos, desde os 7 aos 17 anos de idade.  

Trocados vários assuntos sobre a nova entidade, tudo foi aprovado unanimemente pelos presentes, sendo nomeada uma Comissão para dar prosseguimento aos trabalhos iniciais, assim como a elaboração dos Estatutos que passariam a reger a Casa.

A Comissão organizadora da Casa de Portugal de Teresópolis ficou assim constituída:
                              

Presidente e Fundador: Guilherme Lopes Taveira
Secretário: Manoel de Araújo Peres
Tesoureiro: Augusto Fernandes
Diretores de Depto: Deodoro Fernandes dos Reis e Filindo Marques Maria da Cunha

 
Ficou deliberado que todos os participantes da 1ª Reunião e também os portugueses que se inscrevessem até o dia 31 do mês de dezembro de 1959, seriam considerados sócios fundadores.

Em regozijo pela fundação da Casa, o Sr. José Madeira e Dª. Elza Torres Madeira, sua esposa, ofereceram, em sua residência, um belíssimo lanche composto de deliciosas iguarias portuguesas, sendo apreciadas por todos, com saudades da pátria distante.

Estiveram presentes: Guilherme Lopes Taveira, José Madeira, Filindo Marques Maria da Cunha, Silvério de Oliveira, Adelino Dias, Luis da Cunha Coelho, Deodoro Fernandes dos Reis, Augusto Fernandes, Manoel de Araújo Peres, Sérgio Rodrigues de Brito, Júlio Oliveira, Serafim Dias, Tomás Fernandes do Cabo, Filipe Antônio Proença, Severino Ferreira dos Santos, Antônio Vaz Calvão, Felizardo Ribeiro, Manoel da Cruz Pereira, Luis Pinto de Oliveira e Antônio de Feitas Veloso. 

Para servir de base e endereço da nova agremiação, foi alugado um salão no prédio da Avenida Delfim Moreira nº. 574, considerado sua primeira sede social.

Foi aprovado que as autoridades consulares de Portugal, acreditadas junto ao governo brasileiro, fossem oficiadas e que todos os presentes fossem considerados sócios fundadores.

Nas assembléias realizadas em 14 e 28 de março de 1960, foram aprovados os Estatutos da Casa de Portugal, de que foi autor e relator o Sr. Guilherme Lopes Taveira e constituída a primeira diretoria, assim composta:
 
Presidente: Guilherme Lopes Taveira
Vice-Presidente: Luis da Cunha Coelho
1º Secretário: Manuel de Araújo Peres
2º Secretário: Alípio Antônio da Costa Regadas
Tesoureiro: Sérgio Rodrigues de Brito
Diretor Social: Manoel de Sousa Couto
Diretor do Patrimônio: Maximino Peres
Bibliotecário: Antônio Figueiredo Paz
Síndico: Adelino Dias
Vogais: Joaquim de Jesus Dantas Silva, Serafim Dias e José Cardoso Romeiro
Conselho Fiscal: Deodoro Fernandes dos Reis, Alcino Rodrigues e Severino Ferreira dos Santos

Foi também aprovado o pavilhão da entidade, idealizado, desenhado e ofertado pelo sócio fundador Luis da Cunha Coelho e nele consta o escudo Português com a cruz de avis sobreposta.

Em 25 de novembro de 1961, na gestão do professor Antônio Augusto de Figueiredo Vaz, eleito por aclamação para o biênio 1960/1962 foi aprovado o novo Estatuto da Casa, que seria mais tarde, em 19 de julho de 1965, modificado e fundido com o Estatuto do Hockey Club Teresópolis.

A sede da Delfim Moreira começa a ficar pequena, havendo a necessidade de se encontrar um espaço maior para atender ao crescente número de novos sócios. Em 1961, a Diretoria começa a discutir a questão da sede própria.

Em 19 de julho de 1965, ocorre a fusão do Hockey Club Teresópolis com a Casa de Portugal de Teresópolis e nesse mesmo ano, a Casa utiliza a opção de compra concedida ao então Hockey Club e adquire, das irmãs Perry, um terreno localizado na Av. Lucio Meira, onde se encontra atualmente sua sede social, no número 850.

Quatro anos após a aquisição do terreno e dez anos após sua fundação, 23 de novembro de 1969, na gestão do Sr. Antônio de Araújo Fernandes, com a presença de ilustres convidados, a Casa inaugura sua sede social.

A Casa já tinha sua própria casa.

Uma importante página de sua história fora virada e novos horizontes se descortinavam.

A partir daí a Casa não parou de crescer. Novas e importantes obras foram realizadas valorizando seu patrimônio.
Grandes esforços, novos terrenos adquiridos e a Casa continua crescendo.

Sua Santa padroeira, Nossa Senhora da Conceição foi entronizada em sua pequena, mas linda capela, mandada construir pelo inesquecível Prof. Fernando Lucilio Costa e inaugurada em 16 de junho de 1991.

Em 1993, no dia 6 de junho, a Casa foi abençoada com a honrosa visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima.    

Em maio de 1999 foi apresentado o estudo do novo lay-out da Casa detalhando o que seria a Casa do século XXI.

Em junho desse mesmo ano, o Conselho autorizou a cobrança de uma taxa de obras no valor de R$ 20,00 (vinte reais) durante 10 (dez) meses, prorrogada posteriormente, por mais 10 (dez) meses.

E foi numa manhã chuvosa e fria do dia 04 de julho de 1999 que se iniciaram as obras do Projeto Piloto denominado a “Casa de Portugal do Século XXI”

A Casa, em 1º de dezembro, data em que completou 40 anos, se tornou uma balzaquiana com cara e roupas novas.

Graças a participação quase maciça dos associados, contribuindo pecuniariamente para a consecução das obras e o esforço de um pequeno, mas abnegado grupo, a Casa de Portugal, rapidamente se transformou, tornando-se um dos melhores clubes de Teresópolis.   
 
Compilado e desenvolvido por João Luiz Telles – Tesoureiro da Casa de Portugal em Outubro de 2006
 
Cronologia
1936 – Criação do Grêmio Português de Teresópolis.
06 de Junho de 1957 – Inauguração da Praça Olímpica Luiz de Camões.
30 de Julho de 1957 – Fundação do Hockey Club Teresópolis.
01 de Dezembro de 1959 – Fundação da Casa de Portugal de Teresópolis.
28 de março de 1960 – Aprovado o 1º Estatuto da Casa de Portugal.
1960 – Aprovado o pavilhão da Casa de Portugal de Teresópolis.
25 de Novembro de 1961 – Aprovado novo Estatuto da Casa de Portugal.
19 de Julho de 1965 – Fusão dos Estatutos do Hockey Club Teresópolis e Casa de Portugal de Teresópolis, constituindo uma única agremiação, sob a denominação comum de Casa de Portugal de Teresópolis.
1965 – Aquisição de terreno das irmãs Perry (local da futura sede da Casa).
23 de Novembro de 1969 – Inauguração da atual sede da Casa de Portugal.
16 de Junho de 1991 – Inauguração da capela da padroeira da Casa de Portugal – Nossa Senhora da Conceição.
06 de Junho de 1993 - Visita da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima.
04 de Julho de 1999 – Inicio das obras da Casa de Portugal do Século XXI.
 
 
Fontes de Consulta:
 

Os Quarenta Anos da Casa de Portugal de Teresópolis - Os Quinhentos Anos do Descobrimento do Brasil – Livro de Propriedade da Casa de Portugal (Não Editado).
Autor: Antônio Osíris Rahal.
 
Matéria publicada no Teresópolis Jornal de 5 de dezembro de 1959, noticiando a Fundação da Casa de Portugal.
 
E-mail do associado Carlos Cezar de Lima Quintella enviado ao autor do presente trabalho, relatando a fundação do Hockey Club Teresópolis.
 
Livro de Atas das Assembléias Gerais da Casa de Portugal.
 
Livro de Atas da Diretoria da Casa de Portugal.
 
Boletim Informativo Aos Associados da Casa de Portugal.

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